O último dos perdedores


Há numa folha de papel
uma dignidade que nunca houve nas máquinas,
malgrado o seu sintético charme.
Ou sua nuvem.

Dos paradoxos inocentes

Que os vampiros estáticos se paradoxem,
                      a vida é um contínuo fluxo sanguíneo imaginário,
estamos presos na mudança.
                      Caso contrário não existiriam os paradoxos.
Dos paradoxos.

Azul Tristeza



O paradoxo da amizade:
            Quando nos entendemos com o vento,
Ele muda.

O Instável equilíbrio das Paixões Flutuantes

            
 
Árvores, árvores, deixe-me... como já dizia aquele antigo ditado chinês: "Coletivo de cu é rola". Essa porra de blog é aberta até quando estou disposto a fazer de conta, na verdade o que eu quero é saber quem foi o veado do gênio gemista que fatiou o tempo. Ainda acho um filho da puta não se interessa por famosos interesses, e por um erro de cálculo, fui parar nessa areia movediça em que me endereço para adereços enderessantes, não permitem comentários porque a porra do buldogue  não permita-me, você sabe, outro dia eu ‘tava conversando com você sobre a porra da casa de cultura, o que era e o que não era comercial dentro e fora da linha ao mesmo tempo a porra da taxa de dispersão. 
            E numa daquelas maluquices suas contra os caras, toda essa coisa de interesse, você explodiu em cores e me disse, “andar nu na rua dos protestantes é protestantismo barato, qualquer um faz outra coisa, é se enterrar na verdade  da Grande Bosta Quente, toda plena, em plena Avenida Paulista eu quero ver é Bob Marley sentado num tamborete metálico.”

            Corta pra mim, agora, irmão. Eu também fiquei todo perdido com essa sua coversa, Zimbrotti. Bom, o que eu vou, o que eu iria dizer, fazer contra os jóqueis dessa vida? Mandei você se foder porque sinto que você faria o mesmo. Por mimo.
É assim que estamos nos fodemos ultimamente, toda puta velha e russa sabe que todos caem  para as estrelas nos sábados, o sábio do meu pai, que acredita em Padre Cícero, somente, deitava-se no sofá todo estiradão, como a mão forte varrendo os olhos, apagando todos os filhos dos genros quando lhe perguntei sobre a morte abraços.

Abraços, irmão.



A mãe do Petit Marinheiro



Ela adora culinária e novela das seis.
Eu sei, é estúpido,
às vezes me pego me sentindo o homem mais inteligente,
sortudo e perfeito do mundo.

                Mas é por ela,
é por causa dela
                que eu digo isso.



PS. Sim sim, eu sei, eu sei,
                DELE, DELE, o empate entre
os instáveis equilíbrios.

Por qual outro motivo seria?

Lady Light



Toda forma de misticismo é egoísmo e medo.
Para a maioria das pessoas o outro ouro só existe,

quando muito, como uma sombra.
E
no entanto não conseguem suportar
a ideia
do vazio,

os cretinos.

"CromoSSômica, TOda LeTRa CromoSSômica."


Chronos, toda letra limita.

Mas tudo bem,
sei que é como poeira
iluminando meu fundo de ruídos.

E já que a minha vida é esquecer,
e já que ser e ter é tinta,
vivo me esquecendo disso.

Tecidas todas as redes é apenas o corpo que nos sobra. 
Dorilsvaldo que o diga.

Ser e ter, tecer tecer.
Crescer Novas Redes.
Novas redes.

Nossas redes, infernéticos sites nos mais modestos ratos dos mais internéticos buracos deste absurdo.
Imagéticos ratos nunca serão por acaso.
SSomos. 

Mais do que qualquer um

1

            Marcelo ficou feliz quando sua mãe lhe disse que ele e seu irmão iriam visitar os primos, no sítio que o tio deles tinha no interior. Marcelo ficou feliz e confuso ao mesmo tempo, ficou feliz porque sua mãe ao lhe dar a noticia demonstrava felicidade, mas o que era um sítio? – Perguntou a si mesmo. Marcelo não sabia o que era um sítio. Do jeito como sua mãe lhe falou, pareceu a Marcelo que sítio era um lugar, um lugar que ficava em algum lugar, pensou. Além disso, o que são primos? Marcelo também não sabia o que eram primos. Tio, Marcelo sabia o que era: um homem velho que ele podia confiar, como o tio da perua. “Alguns tios eram BEEEEM VELHOS. Como o tio da cantina da escolinha”, observou a si mesmo. A mãe de Marcelo estava correndo de um lado para outro, fazia muitas coisas ao mesmo tempo. Naquele momento, pareceu a Marcelo que sua mãe estava tentando colocar todas as roupas nas malas. Todas as roupas dele, todas as dela, e todas as do seu irmão. Marcelo quis perguntar à sua mãe o que era “sítio” e o que eram “primos”, no momento em que abriu a boca para perguntar, o telefone tocou. O telefone ficava na sala. A mãe de Marcelo saiu apressada do quarto para atendê-lo, Marcelo viu quando sua mãe quase caiu ao tropeçar numa caixa que estava no chão. Depois, olhou para as malas, elas lhe chamaram a atenção. Já haviam lhe chamado antes. Talvez quisessem que ele visse algo, talvez só quisessem lhe mostrar algo que só elas tinham, ou sabiam.
            As malas ficavam guardadas na parte de cima do guarda-roupa, “um lugar perigoso”, dizia sua mãe. A mãe de Marcelo o proibia de escalar o guarda-roupa, mesmo assim ele já havia tentado. Mais de uma vez. Isso o angustiava, não gostava quando a desobedecia. As malas ficavam no alto, e no fundo da montanha, por maior que fosse seu esforço, Marcelo não as alcançava. Agora elas estavam em cima da cama, sentiu uma enorme curiosidade em saber do que eram feitas, em saber o que elas tinham por dentro, quais eram seus segredos intocáveis. Não estavam no “lugar perigoso”, agora, Marcelo poderia tocá-las. Agora Marcelo iria saber o que as malas tanto queriam.

2

            No caminho, de repente se deu conta de que já não havia tantas casas e prédios. Pareceu-lhe que primeiro sumiram os prédios, agora só havia casas. E eram poucas. Só havia parques. Que nem o Ibirapuera pensou. O ônibus em que viajava era muito diferente dos que conhecia, era muito melhor. Era um ônibus GRANDE, os bancos eram mais bonitos e confortáveis. “Parecem os sofás de casa”, disse para sua mãe. Sua mãe não respondeu. Estava dormindo. Ele, Marcelo, não ia dormir: tudo era diferente. Tudo era novo. Pela janela do ônibus, viu um bicho estranho. O reconheceu. Tinha uma foto no livro da escolinha, sua professora lhe havia ensinado o nome daquele bicho. “MÃE, MÃE, UMA VACA! MÃE ACORDA! TEM UMA VACA NA JANELA!” Gritou, acordando todos que estavam dormindo. Sua mãe o censurou. Outros bichos apareceram, bichos, inclusive, que ele não conhecia. Queria vê-los todos, não tirou mais os olhos da janela. Enquanto isso o ônibus viajava. O ônibus ia, ia e ia...

3

            O lugar chamado sítio ficava muito longe do lugar onde Marcelo morava. A casa desse novo tio ficava no alto de uma colina. Achou a casa enorme, o quintal era enorme. Para Marcelo, o sítio todo era um quintal.
            Era a primeira vez que visitava seu tio, Marcelo passou a achar pequena a casa em que morava. O quintal de sua casa era pequeno, ele podia enxergar o céu, mas havia muros altos de um lado e do outro, e nos fundos, a parede do vizinho também era muito alta. Marcelo olhava para o céu, só enxergava uma pequena parte dele. Sua mãe não o deixava brincar nas ruas à noite. Quando queria observar o céu noturno, fazia isso de seu quintal. Marcelo gostava de olhar para céu à noite. “É muito mais interessante do que o céu, do dia”, dizia para sua mãe. Nessa noite, na casa de seu, tio, era uma noite clara, uma noite com estrelas. Havia muitas, muitas estrelas, mais do que ele podia contar. Nunca, na sua vida, viu um céu com tantas estrelas. Como pode? Por que esse céu é melhor? Perguntava-se.

4

            Havia noites escuras, noites em que você não enxergava as estrelas, muito menos nuvens. Marcelo sabia disso. Em algumas noites, noites chatas, o céu era escuro. Noites onde tudo era escuro. Nessas noites, Marcelo não enxergava o céu noturno. Mesmo quando tentava, ele não via o céu. Nessas noites, o céu não existia. Só existia a escuridão. Eram noites sem vida, noites mortas. Estavam mortas. Eram cadáveres de noites claras que um dia tiveram vida, e que para piorar, quando morreram, se transformaram em noites zumbis, noites que vinham se arrastando desde longe, de muito longe, somente para fazê-lo mijar nas calças de tanto medo. Tais como os filmes de terror que sua mãe o proibia de assistir.
            – É o Dárcio que trouxe esse filme da escola mãe!
            Dárcio era seu irmão mais velho, algumas vezes, quando Dárcio chegava da escola, trazia consigo alguns filmes emprestados dos colegas. “Da turma”, explicava Dárcio à sua mãe.
            – Pode assistir, é um filme de super-herói; o cara tem um monte de poderes e os monstros não têm a menor chance – dizia Dárcio, tentando enganá-lo novamente.
            A mãe de Marcelo o prevenira contra seu irmão: ele só o chamava, porque tinha medo de assisti-los sozinho. Dárcio só aparecia com esses filmes quando sua mãe se encontrava fora de casa, no trabalho, o que equivalia dizer o dia todo.
            Quando a mãe de Marcelo chegava do trabalho, ele e seu irmão a ajudavam a preparar a janta. As refeições sempre eram agradáveis, sua mãe conversava com ele. Também conversava com seu irmão, mas isso não tinha muita importância. O importante era que ela estava ali, ao lado dele, Marcelo.
                        Uma vez, no jantar, Marcelo perguntou à sua mãe como era o céu, sua mãe, então lhe disse que no céu, “tudo era infinito”, e que Deus só deixaria ir morar no céu, as pessoas boas. “As que só praticassem boas ações”. Isso deixou Marcelo preocupado com seu irmão mais velho: nem sempre ele praticava boas ações. Ele, Marcelo, também nem sempre praticava boas ações. Isso o deixou aflito. Às vezes, Marcelo e seu irmão deixavam sua mãe nervosa; seja porque tinham brigado, ou porque não tinham feito alguma tarefa que ela lhes havia confiado, como por exemplo: lavar a louça do almoço ou levar o lixo para o lado de fora. Às vezes ela ficava nervosa, porque eles não haviam feito tarefa alguma. Era o irmão de Marcelo quem o convencia a não realizar as tarefas combinadas com sua mãe, “A gente faz mais tarde” ele dizia. O mais tarde era: quando sua mãe chegava do serviço. Quando a mãe de Marcelo chegava em casa, e via a casa bagunçada, ficava nervosa e os colocava de castigo. O castigo era sempre ajudá-la a realizar as tarefas que eles não haviam feito durante o dia. Para Marcelo, isso era um castigo bom, pois gostava de fazer coisas junto com sua mãe, achava que seu irmão também gostava de ficar de castigo. Marcelo e seu irmão sabiam que sua mãe sabia disso; desconfiavam, pelo menos.  
            Quando Marcelo perguntou à sua mãe se no céu havia cemitérios, sua mãe sorriu; disse que não, disse que no céu “as pessoas viveriam para sempre”, e que por isso lá não existia cemitérios. Marcelo não tinha medo, sabia que não ficaria sozinho. Sua mãe uma vez disse a ele – e a seu irmão – que “ela sempre estaria com eles, à vida toda. Que nunca os abandonaria”. Marcelo sabia, quando sua mãe fosse para o céu, ela os levaria. Sua mãe sempre praticava boas ações.
            De vez em quando ela vinha do trabalho com algum filme que ela comprava do camelô da rua de baixo. Eram estórias de peixinho perdido, de leão amigo da zebra, querendo fugir do zoológico. Sua mãe os fazia assistir, ele e seu irmão, ela também. Os três juntos. Normalmente, ela dormia antes do filme terminar. Mas Marcelo nunca dormia quando assistia aos filmes que sua mãe trazia. Assistia-os até o fim. Eram noites de céu noturno-claro, que iam embora cedo, mesmo assim, ele não as via partindo: sua mãe o mandava dormir. Marcelo obedecia. Quando acordava, o Senhor Dia já havia chegado, e trocado de lugar com ela, com a Dona Noite. Isso deixava Marcelo com dúvidas, Marcelo sabia que o céu, provavelmente, não era uma casa, numa casa moram muitas pessoas, só na dele havia três. Na casa do Adriano tinha muito mais. Marcelo pensou em quantas pessoas moravam lá, eram muitas. Elas moravam juntas. Era certo dizer que não estavam sempre juntas; mas às vezes estavam, ele sua mãe e seu irmão costumavam ficar juntos à noite: todos dormiam no mesmo quarto. Sua casa só tinha um quarto, e pra falar a verdade, era muito melhor assim: mesmo nas noites de céu nortuno-escuro, o céu não parecia tão escuro assim. No céu isso não acontecia. No céu, o Senhor Dia, fosse qual fosse, nunca o dividia com a dona Noite. A mãe de Marcelo o havia ensinado que quando era noite, qualquer noite aqui no Brasil, era dia, qualquer dia, lá no Japão. “Lá onde tem mais japoneses do que na Liberdade”, ela dizia. “E quando é dia aqui no Brasil, é noite lá no Japão”, ela continuava. “Igual ao seu emprego mãe: a senhora sai quando termina o dia, a outra pessoa sai quando termina e noite”. Ah, não é a casa deles, é o emprego, concluía Marcelo, pensando no senhor Dia e na dona Lua.

5

            Marcelo orava ao Papai-do-céu todas as noites. Oravam juntos: ele, sua mãe e seu irmão. Sua mãe era quem na maioria das vezes orava pelos três. Ela sempre agradecia por tudo o que o Papai-do-céu havia dado. Mas também pedia algumas coisas que estavam faltando. Ela sempre pedia coisas boas e necessárias, ao contrário de seu irmão. Às vezes, por ordem de sua mãe, era Dárcio quem orava por todos. Dárcio sempre pedia coisas bobas: bicicleta, vídeo-game, tênis caro, relógio etc. Eram coisas que sua mãe não podia comprar, além do mais, era coisas realmente bobas e desnecessárias, mas que, se algum dia o Papai-do-céu achasse que algum daqueles pedidos idiotas do seu irmão fosse justo, ele Marcelo, também queria receber.
            Quando todos estavam deitados e quando (Marcelo supunha) seu irmão e sua mãe estavam dormindo, Marcelo continuava conversando com Papai-do-céu, sobretudo nas noites de céu-noturno-claro. Em pensamento, pedia a Deus que desse a essas noites “muito, muito tempo de vida”. O máximo que elas pudessem viver. Marcelo não queria vê-las transformarem-se em noites zumbis, noites de céu-noturno-escuro. Nas noites de céu noturno-escuro ele balbuciava em silêncio e rapidamente, alguma coisa para Deus. E tratava de dormir rapidamente.
            Algumas vezes, e sempre nas noites de céu-noturno-claro, depois de silenciosamente conversar com Papai-do-céu, Marcelo lembrava-se de seu pai. Seu pai era o homem que aparecia nas fotos que sua mãe lhe mostrava. Todas as semanas. Aquele homem era seu pai. As lembranças que Marcelo tinha de seu pai eram como aquelas fotos: não eram suas. Não havia sido ele quem as tirara. Ele as via, imaginava-as. Podia até mesmo tocá-las. Sonhava-as. Mas não eram suas. Eram lembranças de sua mãe e, até mesmo de seu irmão. Uma vez Marcelo quis falar com seu irmão, do pai que um dia teve... tiveram. Seu irmão ficou nervoso, mandou que ele se calasse, e antes que Marcelo perguntasse o motivo, Dárcio começou inesperadamente a chorar, saiu de casa e o deixou sozinho, o que era proibido. Dárcio deixou seu irmão de cinco anos sozinho em casa. Sua mãe, inúmeras, repetidas vezes advertia Dárcio de, jamais, qualquer que fosse o motivo, deixasse Marcelo sozinho em casa. Naquele dia quando sua mãe chegou em sua casa, percebeu algo. Depois perguntou a Marcelo, se havia alguma coisa de errado, se Dárcio havia lhe feito algo de mal.
“Não mãe, o Dárcio não fez nada”, respondeu.




6

            O cemitério era um lugar estranho: não podia correr não podia pular, nem brincar de esconde-esconde atrás das pedras. Na frente então, ninguém deixava. Marcelo se lembrou de que sua mãe havia lhe dito que seu pai estava enterrado ali. “Deus levou o papai para o céu”, sua mãe disse uma vez a ele, quando este perguntou a ela, porque seu pai estava ali.
            Deus? Quem era Deus?
            Deus era o Papai-do-céu. Era o papai de sua mãe, de seu irmão Dárcio, e dele Marcelo. E de seu pai, que havia levado pro céu. Deus também era o Papai do senhor Dia e da dona Noite.
            Uma vez Marcelo estava junto com sua mãe, assistindo televisão. “Era um programa que tinha gente no lugar de desenho”. Havia um apresentador fazendo perguntas para uma mulher. “Tinha também um monte de gente em volta, assistindo dentro da televisão”. A mulher respondia perguntas feitas pelo apresentador. “No final, ela respondeu a última pergunta certo  e ganhou um monte de dinheiro”.
Havia ganhado um milhão de reais.
            – O que é um milhão de reais, mãe? – perguntou Marcelo.
            – Hum milhão de reais, filho, é dinheiro pra se tomar muito cuidado.
            – Quanto mãe?
            – Mais do que qualquer um pode contar –, ela respondeu.
Como as estrelas do céu, pensou Marcelo.
            Deus? Quem era Deus?
            “Deus é o céu noturno que se quebrou em um milhão de pedaços. ELE se quebrou. Eu, meu irmão, somos pedacinhos desse céu, só que eu sou um pedacinho de céu um pouco mais clarinho do que ele. Minha mãe é o pedacinho mais brilhante do céu, uma estrela cadente que Deus nos mandou para dar vida. Na escola aprendi uma vez, que um cometa é um astro celeste que vem, deixa um rastro de luz, e vai embora. “Alguns cometas como o cometa Halley, por exemplo, um dia voltam” disse uma vez minha professora do prézinho. Meu pai? 
            Meu pai foi um cometa que veio, deixou sua luz, e foi embora. Por quê? Porque o Papai do céu... Porque Deus assim quis. Talvez um dia ele volte; e poderemos ver juntos o Sol, novamente.” 

Um socialismo com assassinato por bobagem



Não, não há nada para haver.
 Se bem que há.
            Porque é.

Vertigem


Quedado na existência,
nessa experiência
absurda e ausente de sentido.
Quedado na existência,
nessa experiência,
percebo que minha vida não tem valor algum.
É por isso que ela é tão valiosa.

Fechando o Bico




O vagabundo da luz vermelha serve,
           serve muito bem a todo o mundo.
Àquele, hahaha, a quem sirvo,
serve muito bem aos vagabundos.

Continuo sendo muito bem pago.
Sem registro.

Originais Do Samba




"Canto o Amor
e me esquivo dos males da vida,
zombo de quem só odeia 
com medo de amar!

Kaiubu


              
A morte está na soleira. E tudo começa com a melancolia, essa estranha e absurda inexpressividade que toma conta dos pensamentos. Algumas insignificâncias a espantam com comportamentos. Algumas vezes é um comportamento insano, em outras é um comportamento cru.
Não resolve. E como vícios que se tornam mais fortes, a insanidade e o sangue engolem o espírito, tornando-o um instrumento da natureza. Mas isso nunca, nuca muda nada. Isso mais do que as futuras nascentes de luz das sombras, aflitas por coisas que folheiam nascimentos e mortandades. 
            Tudo começa com o desespero. Faz poucos dias descobri que não tenho com o que me preocupar; já que o Bov perdeu apenas, hahaha, a perninha.